Prefácio 2 do Livro " Maturescência:Poder e Cura da Mulher na Menopausa"
MENO-PAUSA
Uma Visão Masculina da Menopausa
Ufa! Enfim uma noite de sono.
Depois do fogacho das três da manhã e do banho, ela foi
dormir na cama do filho, que está na casa dos amigos.
Ontem, quando puxei as cobertas, lentamente, para não
acordá-la, ela acordou furiosa porque “sempre a descobria,
que fazia isto, sempre!” Aí tive uma LUZ!!! E após respirar,
pude por fim entender e explicar que não era assim, mas que,
segundo minhas pesquisas dos últimos tempos, ela, depois de
colocar mais um cobertor (pois estava na fase do resfriamento
do pré-fogacho), nos tinha feito molhar os travesseiros de
suor e que, depois de sentir muito calor, tinha jogado todos
os cobertores sobre mim. Acordei com o corpo todo suado e
tive de levantar para tirar o excesso de mantas, enquanto ela
arrancava a camisola “de tecido sintético, muito quente!”
Mas não foi só isso. Conforme minhas extensas e
extenuantes pesquisas madrugadas adentro, encolhido na
beira da cama para não perturbá-la, ela, passado o calorão,
na onda de frio, já sem a horrível camisola sintética e
sem aquela calcinha que tinha aquela etiqueta que ficava
arranhando a pele, puxava TODAS as cobertas para se
encasular, quentinha. Eu, já na beira do colchão, acordava
gelado, querendo me cobrir novamente, sem entender o que
tinha se passado.
Mas, ao puxar gentilmente as cobertas que me eram
de direito, acordava o monstro da etiqueta sintética: “Você
sempre faz isso! Descobre-me! Sempre!” Isso, num clima
emocional tão intenso, que demorei anos para discernir o que
acontecia.
Uma prova, realmente é uma prova dormir junto com
uma menopáusica expansiva. Prova de maturidade, do
quanto temos de entendê-las para não ser por elas devorados.
Furiosas, chorosas, manhosas e irascíveis. Compreendi o
que é Kali, Lilite, o feminino profundo, a grande escuridão
cósmica de onde tudo vem e pra onde tudo vai, o absoluto. O
implacável, o render-se à existência. Ao fluxo emocional do
Tsunami das transformações hormonais.
Noutros momentos, é mansa como uma gazela satisfeita,
quase desligada, absorta numa onda de serenidade
luminosa.
Beijos ternos, abraços aconchegantes, até adormecer num
sussurro de descanso, após longa jornada de vida.
Para mim foi muito intenso viver tudo isto com esta
mulher.
No sexo, longas preliminares, gentis na condução da
excitação, driblando os “Você ainda me ama?” ou os “Você
acha que eu sou bonita?!” “E os meus peitos? Não tão muito
caídos?”
Assumi totalmente a minha vontade de querer penetrá-la,
de aconchegar-me em suas mucosas, o não esmorecer ao
primeiro, segundo ou terceiro sinal de “Não tou muito a fim...”
E ser absolutamente sedutor no meu querer: “Eu quero esta
mulher e vou conquistá-la”.
“Consegui! Ela umedeceu! Gemeu!! Me beijou!!!!!!!!
Apaixonadamente!!!!” Minha excitação farejando o caminho
para dentro da parte mais fina e sensível de suas coxas...
E, de repente, não mais que de repente, tudo volta ao
ponto zero! A boneca inflável murcha. Resfriando total. Como
se nada tivesse acontecido.
A MENO deu uma PAUSA.
Pausa absoluta!
Esta é uma das transcendências da maturescência.
Elas desligam de um segundo para o outro, como se fossem
um foguete, que está subindo naquele esforço todo contra
a gravidade e... puft! Os propulsores desligam! Tudo fica
no ar. Tem até hora que ela pede desculpas! Ou levanta
e vai passear no jardim para se refrescar. Eu, excitado,
sustentando a imponderável leveza de ser maduro. Como
diria Freud, aprendendo a lidar com a frustração, sem perder
a potência. Puro tantra. Meditar e aguardar a nova onda.
Ela também sustenta os silêncios egípcios de minha
andropausa. Ela também aguarda em silêncio meus
momentos de mau humor inexplicáveis. Nós dois aprendemos
a contemplar instantes de profunda e plena desistência, a
soberania das transformações orgânicas. Nada a fazer.
Tempo de compreender, entender gesto a gesto,
enlaçando as pernas, acariciando, harmonizando as
flutuações hormonais de cada fase, nas explosões emocionais,
na mansidão do olhar atento e compassivo, a cada detalhe.
Sabendo que, a cada passo, fico mais em mim e ela com ela,
juntos, no caminho do amor. Ela se instalou em mim, eu a
envolvi.
Por fim, grávido. Gestando a maturidade da união
mística, a aliança feminino/masculina. Na alegria e na
tristeza, mesmo que as flutuações hormonais tentem nos
separar.
Paulo Gaiarsa (Nadeesh)
Terapeuta, Coordenador das atividades
do Clube de Meditação Amygo, Bsb, DF
Nesse blog compartilho ideias, reflexões e sentimentos sobre a aceitação e compreensão da Maturescência, que é a saída da vida reprodutiva e envolve todas as fases da menopausa, andropausa, envelhecimento e morte.
domingo, janeiro 07, 2007
quarta-feira, janeiro 03, 2007
Maturescência: Poder e Cura da Mulher na Menopausa
Maturescência: Poder e Cura da Mulher na Menopausa
Autora: Livia Penna Firme Rodrigues
Este é o título de um livro publicado em Dezembro de 2006
pela LGE Editora, Brasília, DF.

Maturidade significa ter cumprido etapas naturais da vida. Vários ciclos se abriram e se fecharam e cada uma de nós tem muitas estórias para contar. Vivemos em uma época em que as transformações hormonais produzem, entre outras, mudanças fisiológicas e afetivas, assim como na adolescência. Por isso surgiu a palavra Maturescência, que se refere às crises e mudanças desta fase.
O aspecto sagrado da menopausa, responsável pela sabedoria e poder que é dado a cada uma de nós nesse período, precisa ser resgatado e reconhecido. Poderemos sentir insegurança e medo da velhice, atravessar uma crise existencial, mas nunca acreditar que a partir de agora não há mais razão para viver plenamente, com saúde e alegria. Temos ainda muita vida pela frente!
Esse livro, a partir de experiências vividas pela autora, por outras mulheres e referidas na bibliografia existente, trata de vários aspectos ligados ao desafio da aceitação da maturidade. Isso implica em viver cada momento, respirar fundo, se cuidar bem, reconhecer a sabedoria que conquistamos e seguir com confiança e fé no coração, conscientes que vivemos um momento de transformação. Desfaz o mito que mulheres menopáusicas são chatas, loucas e rabugentas. Ao contrário, tornam-se deusas, plenas de sabedoria e amor, refletindo a verdadeira beleza que nenhuma plástica é capaz de trazer.
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