quarta-feira, fevereiro 21, 2024

 

Cheguei aos 70 – e agora?

 

Comecei conversar sobre menopausa há exatamente 20 anos. Meus sintomas de desequilíbrio hormonal, os mais fortes, tiveram início, quando eu tinha 51 anos. Até então, surgiram os atrasos menstruais, que sempre interpretava como uma gravidez tardia, já que estava vivendo uma paixão com atividade sexual intensa. Mas minha ignorância, na época, sobre esse tema, não me permitiu identificar que estava vivendo os primórdios da menopausa.

Naquela época, pouco se falava sobre esse tema. Fui considerada, inúmeras vezes, “louca”, por querer conversar sobre esse assunto com as mulheres. Falar a palavra “menopausa” era quase uma aberração. Até que descobri a palavra “maturescência”, que facilitou minha abordagem sobre esse ciclo tão sensível da vida das mulheres, que se refere à saída da vida reprodutiva e inclui a perimenopausa, menopausa e pós menopausa.

Nos últimos tempos, muita coisa mudou. As mulheres de cinquenta anos declaram em alto e bom tom que sim, estão entrando na menopausa. Isso deixou de ser um problema, um tabu e estar com 50 anos, atualmente, significa estar no auge da vida, com muitas possibilidades pela frente. Atrizes internacionais e globais conversam sobre isso, discutem seus direitos, questionam o etarismo, declaram o quão felizes estão, com a sua sexualidade plena, vivendo os novos cinquenta anos.

Mas e nós, mulheres com setenta anos e mais? Já ultrapassamos a pós menopausa e estamos em plena caminhada ao envelhecimento, talvez uma quarta e quinta idade, se chegarmos lá. Não vejo, nas redes sociais, muita conversa a esse respeito e de muitas mulheres com essa idade que observo por aí, estar com 70+ é quase um sinal de invisibilidade total e não pertencimento à sociedade em que estamos inseridas. Nos cruzamos em supermercados e feiras, nas aulas de pilates, para aquelas que podem ter o privilégio de frequentá-las; mas, na academia, a presença dessa faixa etária é rara, principalmente a de mulheres.

Felizmente conheço algumas mulheres em plena atividade aos setenta, oitenta anos. Mas isso ainda não é comum. A grande maioria se encontra no ambiente doméstico, com a saúde debilitada, ou prestando serviços gratuitos como sendo babás de netos, sem ter tido a opção de escolha de fazer ou não esse trabalho. Ou sentadas no sofá, isoladas, assistindo filmes e novelas na TV. Claro, temos as mulheres intelectuais, atrizes, poetas, escritoras nessa faixa dos 70+ em plena atividade. Mas me refiro aqui à maioria silenciosa, sem condições econômicas ou recebendo um salário mínimo de aposentadoria, ou aquelas que investiram pouco em um projeto para o final da vida, que estão isoladas.

Vamos lembrar que as mulheres que estão com 70 e mais, atualmente,  são revolucionárias, fizeram parte dos maiores movimentos de libertação sexual já existentes, são feministas, abriram muitas portas para que as mulheres exerçam seus direitos hoje em dia.

A meu ver, o condicionamento sobre a velhice é ainda muito forte. Apesar de estarmos envelhecendo, como Sociedade, a passos largos, a verdade é que envelhecer e morrer, são temas tabus.

Mas é sobre isso que quero conversar agora. Mulheres que estão entrando na perimenopausa e menopausa, me desculpem. Tenho um vasto trabalho sobre isso, realizado nos últimos vinte anos. Canal no You Tube, dois livros publicados, muitas postagens no facebook e Instagram, curso online na plataforma Hotmart. E atualmente há inúmeras profissionais trabalhando com e sobre menopausa na internet. Agora, minha intenção é outra: quero conversar com as mulheres 70+ e com as de 60+ interessadas nesse caminho a ser percorrido para entrarem no décimo setênio de vida.

Quem vem comigo?

 

Livia Penna Firme Rodrigues

Fevereiro de 2024

Brasília


                                                           Foto de Rafael Martinelli

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