Cheguei aos 70 – e agora?
Comecei
conversar sobre menopausa há exatamente 20 anos. Meus sintomas de desequilíbrio
hormonal, os mais fortes, tiveram início, quando eu tinha 51 anos. Até então, surgiram
os atrasos menstruais, que sempre interpretava como uma gravidez tardia, já que
estava vivendo uma paixão com atividade sexual intensa. Mas minha ignorância,
na época, sobre esse tema, não me permitiu identificar que estava vivendo os
primórdios da menopausa.
Naquela
época, pouco se falava sobre esse tema. Fui considerada, inúmeras vezes, “louca”,
por querer conversar sobre esse assunto com as mulheres. Falar a palavra
“menopausa” era quase uma aberração. Até que descobri a palavra
“maturescência”, que facilitou minha abordagem sobre esse ciclo tão sensível da
vida das mulheres, que se refere à saída da vida reprodutiva e inclui a
perimenopausa, menopausa e pós menopausa.
Nos últimos
tempos, muita coisa mudou. As mulheres de cinquenta anos declaram em alto e bom
tom que sim, estão entrando na menopausa. Isso deixou de ser um problema, um
tabu e estar com 50 anos, atualmente, significa estar no auge da vida, com
muitas possibilidades pela frente. Atrizes internacionais e globais conversam
sobre isso, discutem seus direitos, questionam o etarismo, declaram o quão
felizes estão, com a sua sexualidade plena, vivendo os novos cinquenta anos.
Mas e nós,
mulheres com setenta anos e mais? Já ultrapassamos a pós menopausa e estamos em
plena caminhada ao envelhecimento, talvez uma quarta e quinta idade, se
chegarmos lá. Não vejo, nas redes sociais, muita conversa a esse respeito e de
muitas mulheres com essa idade que observo por aí, estar com 70+ é quase um
sinal de invisibilidade total e não pertencimento à sociedade em que estamos
inseridas. Nos cruzamos em supermercados e feiras, nas aulas de pilates, para
aquelas que podem ter o privilégio de frequentá-las; mas, na academia, a
presença dessa faixa etária é rara, principalmente a de mulheres.
Felizmente
conheço algumas mulheres em plena atividade aos setenta, oitenta anos. Mas isso
ainda não é comum. A grande maioria se encontra no ambiente doméstico, com a
saúde debilitada, ou prestando serviços gratuitos como sendo babás de netos,
sem ter tido a opção de escolha de fazer ou não esse trabalho. Ou sentadas no
sofá, isoladas, assistindo filmes e novelas na TV. Claro, temos as mulheres
intelectuais, atrizes, poetas, escritoras nessa faixa dos 70+ em plena
atividade. Mas me refiro aqui à maioria silenciosa, sem condições econômicas ou
recebendo um salário mínimo de aposentadoria, ou aquelas que investiram pouco
em um projeto para o final da vida, que estão isoladas.
Vamos
lembrar que as mulheres que estão com 70 e mais, atualmente, são revolucionárias, fizeram parte dos maiores
movimentos de libertação sexual já existentes, são feministas, abriram muitas
portas para que as mulheres exerçam seus direitos hoje em dia.
A meu ver, o
condicionamento sobre a velhice é ainda muito forte. Apesar de estarmos
envelhecendo, como Sociedade, a passos largos, a verdade é que envelhecer e
morrer, são temas tabus.
Mas é sobre
isso que quero conversar agora. Mulheres que estão entrando na perimenopausa e menopausa,
me desculpem. Tenho um vasto trabalho sobre isso, realizado nos últimos vinte
anos. Canal no You Tube, dois livros publicados, muitas postagens no facebook e
Instagram, curso online na plataforma Hotmart. E atualmente há inúmeras
profissionais trabalhando com e sobre menopausa na internet. Agora, minha
intenção é outra: quero conversar com as mulheres 70+ e com as de 60+
interessadas nesse caminho a ser percorrido para entrarem no décimo setênio de
vida.
Quem vem
comigo?
Livia Penna Firme Rodrigues
Fevereiro de 2024
Brasília
Foto de Rafael Martinelli
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